Infância
Março 21, 2008
Eu nasci no dia 29 de setembro de 1969, às 9 horas da manhã, em um hospital militar numa cidade próxima a Natal (RN). Da pra perceber que o número 9 passou a ter um significado importante em minha vida. Minha mãe, que é uma contadora de histórias incrível, relata que eu dei um trabalho danado pra nascer. De fato, ela teve que esperar horas até que resolvessem “gerenciar” meu nascimento. Na narrativa de minha mãe, após meu nascimento ela teve uma hemorragia severa, que nem ela sabe dizer como foi controlada. Como eu nasci horas depois do momento que deveria, enfrentei muitos problemas de saúde nos meus primeiros meses de vida.
Vale a pena lembrar que meus pais eram um típico casal da década de sessenta: ele um cabo da aeronáutica e ela uma professora de ensino fundamental que conheceu meu pai na escola onde cursava o ensino médio.
Com o meu nascimento, minha mãe tornou-se dona de casa e meu pai viu-se em uma situação difícil. Para continuar com seu emprego na aeronáutica, precisa passar na seleção nacional para especialistas da força aérea brasileira. A concorrência era enorme, algo em torno de 300 candidatos por vaga, e ele precisava passar. Afinal de contas, agora ele era um pai de família com um rebento pra criar.
No final do ano de 70 meu pai embarcava para Guaratinguetá, para cursar o curso de especialização em hélices, o que lhe daria a patente de terceiro sagento da aeronáutica.
Minha mãe também conta que no dia em que meu pai partiu para São Paulo, eu fiquei no portão de nossa casa, sob um Sol inexorável, esperando meu pai voltar. Fiquei doente. Insolação. Por conta disso, quando minha mãe finalmente conseguiu me por para dentro de casa, eu não parava de repetir, delirante e apontando com as mãos para o teto do meu quarto: “os pássaros… as árvores…”
Meu pai só voltaria para casa no final de 72 e eu não tenho muitas lembranças do que ocorreu durante este período em minha vida. Preciso consultar minha mãe a respeito.