Livros

Junho 20, 2009

Quando eu era pequeno e morava em Lagoa Santa, meu sonho era ter um dia uma biblioteca com 25 mil exemplares. Vez por outra eu sentava em frente a estante da sala e ficava contabilizando o acervo pra ver o quão distante eu estava de minha meta.

Sempre gostei bastante de ler. Li muito gibi quando criança e depois de uma pausa na minha adolescência redescobri os quadrinhos com um amigo de faculdade, o Carlos Magno, que também gostava de ler e só comprava os livros dele em sebos. Foi com ele que aprendi a arte de negociar com os caras que eram donos desses espaços.

Passados quase quarenta anos de vida, acredito que ainda estou bastante distante daquela meta, mas o que eu tenho já está se tornando um problema aqui em casa.

Quando eu morava sozinho, tudo que eu tinha de valor eram meus discos, meus filmes e meus livros. Minhas roupas e apetrechos afins cabiam todos em uma cômoda de quatro gavetas e numa escrivaninha. Foi só quando casei com uma historiadora que a coisa começou a ficar profissional. Ela tinha bastantes títulos também e as duas estantes de metal que eu tinha não suportavam tantos livros. Geralmente elas empenavam ou tombavam pra frente, ameaçando um perigoso movimento de queda. Foi aí que decidimos comprar umas estantes de madeira, bem bacanas e bonitas, projetadas para acomodar todo nosso acervo e ainda uma pancada de futuras aquisições.

Hoje, 7 anos depois da compra dessas estantes, o espaço que sobra é o que está entre a lombada superior dos livros e a parte inferior das prateleiras sobre eles. Enfim, ficou complicado.

Prova disso foi que há cerca de 3 semanas uma das prateleiras onde estavam depositadas várias obras de capa dura acabou rachando e desmontando. Tivemos que improvisar uma solução enquanto arrumamos dinheiro pra comprar 2 novas estantes. O principal motivo é que esse tipo de problema deverá voltar a ocorrer com as outras prateleiras, então estamos pensando em trocar essas estantes por novas, mais resistentes.

De qualquer maneira há também o espaço físico disponível no nosso escritório, que limita o tamanho dessas estantes. E como a casa não é nossa, a gente fica com medo de comprar estantes grandes demais, que não caberiam em um novo escritório, em caso de mudança para uma casa menor.

Acho que já deu pra ter uma ideia do problema. Engraçado é ver o rosto de quem vem nos visitar pela primeira vez. Não há quem não nos faça aquela pergunta clássica: “Mas vocês já leram tudo isso?”. É claro que não. Nem é essa a intenção. Eu costumo dizer que sou um colecionador literário. Nem os quadrinhos que eu compro eu tenho mais tempo pra ler, mas não deixo de comprar uma obra sequer do Alan Moore. Será a herança que eu deixarei pra minha filha (além de meus discos e filmes) e tenho esperança de que ela vá gostar de ler.

Isso também não quer dizer que eu não queira ler o que tenho em meu acervo. Mas esse é o tipo de coisa que eu vou deixar pra fazer quando estiver curtindo uma licença prêmio, ou quando me aposentar e for morar em uma casa perto da praia no Nordeste brasileiro, rodeado por duas enfermeiras jovens e gostosas.

Certamente, esse meu vício em comprar a maior quantidade possível de tudo que eu acho interessante acabou suplantando outros desejos, que se tornaram menores, como o de ter um carro, por exemplo. Eu sempre faço as contas e acho melhor investir 300 reais por mês comprando livros do que pagando um automóvel, que também vai me consumir outros quase 500 reais de manutenção mensais. Sem contar que um automóvel se deprecia com o tempo, coisa que não ocorre com meus livros, discos e filmes.

Aliás, eu parei de contar quantos títulos eu tenho faz alguns anos. Foi outro daqueles desejos que eu acabei deixando pra trás.

One Response to “Livros”


  1. Olha quem eu vejo por aqui…! :)


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