Amigos
Agosto 19, 2009
É meio tarde, eu já estou com sono e o texto vai ficar uma droga, mas não poderia adiar por mais tempo a publicação deste post.
De fato, tem dias que eu penso em como escrever o que eu estou com vontade, mas a ideia redondinha ainda não apareceu em minha cabeça. Por isso mesmo eu resolvi escrever do jeito que for surgindo.
Tempos atrás, lá pelos anos 96-97 eu morava em Campinas – SP, onde fui fazer doutorado em Engenharia Mecânica, na área de materiais. Parte do meu tempo livre eu gastava em frente ao computador da sala de informática da Faculdade de Engenharia Mecânica da Unicamp escrevendo e-mails para meus amigos em Natal, ou descobrindo o que podia ser feito naquele novo universo que era a internet.
Nessa época eu lia uma revista que tratava desse assunto (a internet), na qual destacava-se o surgimento de vários grupos de pessoas que trocavam mensagens sobre assuntos afins. Era o embrião do que depois vieram a ser as redes sociais de relacionamento.
Era bem simples: você enviava um e-mail para um servidor com uma linha de código que informava em qual grupo de discussão você queria se inscrever, e a partir disso passava a trocar mensagens com todo mundo que também tivesse se inscrito ali. Eu sempre gostei muito de música (como eu já disse em outro post) e naquele tempo uma das minhas bandas prediletas era a Legião Urbana. Acabei me inscrevendo numa lista sobre a banda e todos os dias trocava algumas mensagens com as pessoas dali. Aquilo foi ficando bacana, a ponto de começar a surgir uma vontade de todos nos conhecermos pessoalmente.
Não me recordo bem como, mas uma garota que morava em São Carlos, uma cidade próxima a Campinas, convidou todo mundo a se reunir em um final de semana na república dela. Eu e mais uma meia dúzia de integrantes da lista topamos ir.
Como não dava pra trocar fotos, porque não havia esse lance de máquina fotográfica digital e enviar qualquer arquivo anexo por e-mail exigia uma caixa postal bem grande, que ninguém tinha, ficamos todos na expectativa de saber como eram os rostos uns dos outros.
No momento em que cheguei a rodoviária de Sanca havia já um casal de meninas me esperando: a Carlinha e a Anne. Gentilíssimas, fiquei apaixonado por ambas e confesso que fiquei vidrado na Anne, até descobrir que ela tinha namorado, o que acabou baldando um bocado meus planos para aquele final de semana.
De qualquer modo, as pessoas foram chegando. Não me recordo bem quando, mas em algum momento eu fui abrir a porta da casa da Carlinha e lá estavam o Érico e a Pop, duas das pessoas mais generosamente magníficas que eu já conheci na vida. Eles dividiam um ap em São José dos Campos e pareciam ter passado a vida inteira juntos, tal a sincronicidade com que se tratavam e se entendiam.
As meninas da casa ficaram todas loucas para tirar uma lasquinha do Érico, que era (e ainda é) um sujeito muito bonito, que usava um piercing em forma de cunha debaixo do lábio inferior. A pergunta que eu mais ouvia elas lhe fazerem era se machucava quando o beijavam. Motivo para o indagarem se podiam testar para tirar a prova.
Depois desse primeiro encontro tornamo-nos todos amigos uns dos outros. Eu fui a outros encontros, onde conheci mais pessoas da lista, com quem mantenho contato até hoje, mas o carinho por aqueles que foram aquele encontro em Sanca jamais foi superado. Talvez pelo fato de termos sido os pioneiros, talvez por estarmos todos longe de casa e querermos muito fazer novos amigos, talvez porque o destino era esse mesmo: onde quer que nos conhecêssemos, seja lá por qual motivo, acabaríamos por nos tornar bons amigos uns dos outros.
O tempo passou, nossas vidas mudaram, a gente mudou. Passamos a nos ver cada vez menos, a trocar menos mensagens, a não telefonarmos uns para os outros, até que ninguém mais sabia do outro direito.
A atitude mais radical foi tomada pelo Érico, que de repente tirou do ar seu blog, sua página do Orkut e se desligou da lista. Cheguei a imaginar que nunca mais voltaria a ter notícias dele e aquilo me deixou bem triste. Não é fácil fazer boas amizades e ainda mais difícil parece ser preservá-las. A sensação que eu tive é que eu era parte da culpa por aquela atitude.
Algumas pessoas tentaram me explicar o que tinha acontecido, mas ninguém chegou a dizer exatamente o que rolou.
Parece piegas, e é mesmo, mas quando perdemos de vista um amigo, a sensação que me dá é que entramos numa espécie de limbo… é como ter uma gaveta esvaziada, que a gente não consegue decidir o que colocar ali dentro.
Muito tempo se passou e dias atrás apareceu uma mensagem automática informando a postagem de um comentário neste blog.
Primeiro imaginei que pudesse ser um dos 3 ou 4 amigos que sabem que isso aqui existe, pra dizer que gostaram ou não de algo que eu escrevi. Qual foi minha surpresa ao ver o nome do Érico e uma frasezinha logo embaixo: “olha só quem eu encontro aqui”.
Não dá pra descrever a alegria que foi receber aquele telegrama eletrônico e talvez por isso eu não tenha pensado em nada que fosse realmente bom para lhe escrever.
Ele deixou o e-mail dele no comentário, mas eu resolvi responder aquele recado escrevendo esse post, porque eu gostaria muito que todos vocês soubessem que eu continuo aqui, apesar de tudo, amando a todos vocês como eu amo o Érico desde que o vi pela primeira vez, naquela manhã fria em Sanca, na porta da casa da Carla.
E espero que a gente não volte a se desencontrar outra vez!
Novembro 24, 2009 at 11:40 am
Anninha deve ser gata!