500 dias com ela

abril 14, 2010

Eu gosto de assistir a filmes (não entendi ainda porque alguns esquecem da preposição depois do verbo que, até onde sei, é transitivo indireto). Com o nascimento de minha filha, ir ao cinema ficou bem complicado. Faz cerca de um ano que não entro numa sala. Perdi a oportunidade de assistir a essa dita nova revolução cinematográfica, que foi lançada por Avatar. Provavelmente só vá assistir a algum filme em 3D daqui alguns meses, quando deixarei o cargo de chefe do meu departamento e poderei desfrutar de um intervalo de almoço maior, ou sair um pouco mais cedo do trabalho.

Todo esse prólogo é pra dizer que para matar minha vontade de ver filmes tenho alugado e comprado muitos DVDs. Como em tudo relacionado às artes, sempre há coisas absolutamente geniais (O Leitor), outras nem tanto (Distrito 9). Provavelmente, e por esse ser um tema que muito me interessa, eu passe a escrever mais sobre os filmes que tenho assistido em casa. Lembro-lhes que não sou um crítico de cinema, nem pretendo ser. Tudo o que escreverei aqui é tão somente a opinião de um leigo que gosta um bocado de ver boas atuações na tela, seja ela pequena ou grande.

Para começar, falarei um pouco sobre 500 dias com ela, que assisti ontem à noite, enquanto minha esposa e minha filha dormiam serenamente. Fiquei sabendo do filme por meio da postagem de um clipe da música there´s a light that never goes out, do The Smiths, que foi posto no orkut de um amigo meu, o Picelli.

Cliquei lá mais por gostar da música do que pela curiosidade em saber do filme. Gostei do que vi (e também do que ouvi) e na primeira oportunidade interroguei o Picelli sobre o filme, que me disse ter achado a estória massa. Pois bem, fiquei na expectativa de o DVD aparecer na locadora do meu bairro e enquanto isso tratei de ler alguma coisa sobre. Pra quem não sabe, o filme é sobre um sujeito (Tom), arquiteto, que no entanto trabalha em uma empresa que faz cartões (desses que a gente dá para as pessoas no Natal). Certo dia, aparece pra trabalhar uma garota (Summer). Dotada de uma beleza estranha e de um senso de comunhão afetiva incomum, não tarda a deixar Tom apaixonado de um jeito que todo mundo deve já ter experimentado (ou vai experimentar, pode crer) uma vez na vida. Então, um dia, eles começam a “namorar”. Só que ele quer que a coisa engrene e ela não quer nada sério… Só estabelecer um relacionamento íntimo com alguém que ela considera um amigo. E isso é a desgraça do Tom. O tempo inteiro do filme o cara fica naquela corda bamba, balançada o tempo todo pela Summer, que apesar de não querer magoá-lo, acaba fazendo isso da maneira mais perturbadora possível. O “namoro” dos dois acaba, mas Tom não quer aceitar a situação.

Na vida real, quando algo assim acontece com a gente, lutamos com todas as forças para acreditar que tudo não seja apenas um momento ruim no relacionamento. A gente sempre espera que a pessoa que a gente ama perceba o quanto a gente é bacana e importante na vida dela, e volte a nos procurar. Mas essas coisas não acontecem na vida real, e nem no filme. Esse drama segue por cerca de metade da película (cerca de 200 daqueles 500 dias do título), até que Tom encontra o que um amigo meu chama de “turning point”. Decide seguir adiante, sabota a própria vida e decide retomar a carreira de arquiteto. Não vou contar o final, porque daí seria uma sacanagem para quem não viu o filme ainda, mas o que posso dizer é que esse tipo de coisa não acontece uma vez somente com cada um de nós.

Minha esposa, que viu apenas os 10 primeiros minutos do filme, percebeu o que a estória queria contar e declarou: “tem mulheres que conseguem foder a vida de um cara.” Na verdade, há mulheres e homens que conseguem fazer isso. Aliás, tem pessoas que fodem e depois são fodidas mais adiante. Eu sou um exemplo vivo disso.

O que posso dizer é que esse tipo de coisa é fonte de uma poderosa força motriz, que nos empurra para direções que jamais tomaríamos, não fosse a influência dessas perturbações emocionais que ficam reverberando em nossas cabeças pelo resto de nossas vidas.

Se você quer passar uns bons 90 minutos de frente pra TV, esse é um título que eu recomendo.

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