Bragfost 2010: sei lá, mil coisas…
setembro 25, 2010
Não sei se já disse antes, mas sou professor universitário desde 2002. Oito anos de um trabalho bacana, mas muitas vezes inglório. Antes disso eu fiz meu doutorado e um ano de pós-doutorado no melhor grupo de pesquisa que alguém possa querer trabalhar, coordenado pelo prof. Gama, no Instituto de Física da Unicamp.
Como Engenheiro Mecânico de formação, sempre me senti uma espécie de coadjuvante importante do grupo, especialmente pelo respeito que o prof. Gama declarava claramente por mim (isso ocorre até hoje). No entanto, nunca foi um cientista produtivo como meus colegas Físicos. Alguns deles conseguiam publicar até 10 artigos por ano e ainda durante o doutorado. Em toda a minha carreira científica devo ter uns 15 trabalhos publicados, se muito. Tá certo que acabei assumindo papeis muito complicados logo que assumi minha função de professor na UEM (coordenação de curso entre 2003 e 2006 e chefia de departamento de 2008 a 2012), o que acabou interferindo diretamente no meu desempenho em outras áreas de atuação. Tá certo também que apesar de só ter conseguido ter um artigo aceito para publicação ano passado, a revista onde ele está publicado tem fator de impacto quase igual a 8. Mas no final das contas, todos sabemos que quando alguém te acha um sujeito produtivo, isso se deve muito mais ao número de artigos publicados em revistas indexadas pelo Qualis do que pelo seu fator de impacto.
Isso dito, acredito que ficou claro pra todo mundo que não me considero um sujeito realmente importante em minha área de atuação (processamento de materiais magnéticos, em especial aqueles com efeito magnetocalórico) e não considerava a hipótese disso vir a acontecer no curto prazo.
Qual não foi minha surpresa quando, cerca de 2 meses atrás, eu recebi um e-mail da Capes, enviada pela Thais, convidando-me para um evento a ser realizado em Bento Gonçalves. Seria um dos eventos científicos que seriam realizados até 2011 entre Brasil e Alemanha, com o intuito de promover a interação científica entre esses dois países. Seriam 30 pesquisadores representando o Brasil e outros 30 a Alemanha e tudo seria pago pela Capes. Daí minha surpresa passou a ser substituída por desconfiança. Por que cargas d’água alguém no MEC achou que eu seria um dos 30 melhores representantes para o país num evento desses? Passei a imaginar que era um daqueles e-mails armadilha que recebemos eventualmente pela internet. Eu preencheria alguns papeis e em algum momento pediriam meus dados bancários ou do meu cartão de crédito e então eu seria fraudado. Ou então os anexos que vinham junto com o convite continham um vírus que destruiria todos os dados de meu HD.
Imediatamente deletei a mensagem e segui com minha vida.
Cerca de 2 semanas depois recebi um envelope com o selo da Capes e pensei: se for uma fraude, esses caras são profissionais. Peguei o número de telefone que a Thais colocava como o número de contato dela em Brasília e resolvi ligar, cheio de medo. Foi só a partir dessa ligação que eu passei a ficar mais tranquilo sobre a seriedade do convite e muito mais surpreso por ter sido um dos convidados.
Havia ainda um problema a ser vencido: Joana! Minha esposa teria que concordar ficar uns 4 dias cuidando dela sozinha, o que eu sei que é um trabalho e tanto. Conversamos e ela topou o desafio.
Alguns dias antes da viagem dei uma olhada em um dos últimos e-mails da Thais e percebi que não havia ninguém conhecido na lista de convidados, além da Luisa, que inclusive faria uma palestra sobre o tema com o qual trabalho atualmente.
Isso me dava um medo danado, porque eu sou tímido pacas e fazia uns 3 anos que não conversava com ninguém em Inglês. Por outro lado era bacana ter a chance de voltar a participar de eventos científicos logo com um desse nível.
Meu avião partiria de Maringá às 6 da madruga; logo, eu teria que estar no aeroporto um pouco depois das 5, no máximo, o que significava dizer que eu teria que acordar às 4 pra me preparar. Joana só foi dormir perto da meia-noite, e eu com ela.
Dormi o vôo inteiro até Curitiba e de lá até Porto Alegre, onde desembarquei às 8h30min. Estava pra começar mais uma série de rituais que envolve esses eventos científicos. Eu estava excitado e ao mesmo tempo preocupado com a maneira como iria responder a isso… (continua)
outubro 12, 2010 às 11:26 pm
Olá!
Passei aqui para dizer que espero a continuação da tua história!!
Não esqueci do nosso cluster!!
Abraços.