Bragfost 2010: sei lá, mil coisas… (pt. 2)
outubro 17, 2010
A informação que eu tinha era de que haveria um traslado para nos levar até Bento Gonçalves. Saí pela porta de desembarque doméstico esperando uma pequena comitiva segurando um cartaz com o logo do evento, mas não havia ninguém por lá. Imaginei que fosse por conta do horário e resolvi me sentar e esperar por uma hora. Quando deu umas 9h30min comecei a ficar preocupado. Levantei-me, dei umas voltas ali no entorno da área de desembarque e não encontrei ninguém da organização. Foi então que eu resolvi fazer uma ligação para o número do celular do pessoal da Capes, que já estava em Bento Gonçalves desde o dia anterior. A Adriana me atendeu e disse que iria mandar o pessoal me encontrar. Uns 10 minutos depois, dois rapazes muito jovens estavam diante de mim com um cartazinho do evento levantado na altura do peito. Aproximei-me deles e fiquei por ali, puxando um papinho básico enquanto eles esperavam o resto do povo chegar. Primeiro chegaram uns 3 rapazes alemães. Depois um casal alemão. Logo depois mais 3 alemães. Daí eu comecei a imaginar como seria ficar ali, no meio daqueles alemães todos, sem nenhum conhecido por perto e sem saber falar a língua deles, até cerca das 11 horas. A solução foi ficar com os rapazes que iriam nos levar a Bento. Enquanto isso, fiquei torcendo pra Luisa aparecer naquela porta de saída da sala de desembarque. Mas ela não apareceu.
Quando deu umas 11 e pouco da manhã, o pessoal nos levou até o ônibus que iria nos transportar pra o hotel do evento. Escolhi uma poltrona no meio do ônibus, botei meu ipod e fiquei torcendo pra nenhum alemão tentar ser simpático e puxar papo comigo. Sorte que isso não aconteceu.
Aproveitei pra dormir durante toda a viagem até o hotel, que era bem bacana. Reservaram quartos individuais pra gente e isso me deixou bastante tranquilo. Imagina eu ter que dividir o quarto com um daqueles alemães!!!
Na fila do check in do hotel conheci a Adriana e a Thaís. A surpresa foi ver que ambas eram muito jovens. Na minha cabeça eu tinha imaginado a Thaís, com quem eu tinha conversado ao telefone algumas vezes, uma daquelas senhoras em meio de carreira, que vivia ocupada o dia inteiro preenchendo relatórios financeiros e protocolando processos, como a agente 001 do filme Monstros S.A..
Fiz meu check in e me mandei pra meu quarto. Guardei minhas roupas no armário, tomei um banho quente e aproveitei pra dormir mais um pouco. Perto das duas da tarde resolvi descer até o restaurante pra comer alguma coisa. Aí aconteceu uma coisa engraçada. Estávamos somente eu e uma garota alemã no restaurante e o garçon sequer falava inglês. A alemã se esforçava pra poder entender o que estava no cardápio, todo escrito em português, e o garçon, quando tentava ajudar, respondia em português às dúvidas da menina. Fiquei ali esperando pra ver onde aquilo terminaria e pronto pra ajudar caso eles não conseguissem se entender, mas no final deu tudo certo.
Fiz meu pedido e voltei pro quarto, novamente pra dormir.
Perto das 8 da noite tomei outro banho, coloquei uma roupa e desci até o lobby do hotel pra ver se me encontrava com a Luisa, que seria minha salvação. Sou um cara bem tímido e fazia um tempão que não falava em inglês com ninguém. Tinha bastante temor em não entender ninguém e também em não me fazer entender. Essas coisas ficaram ali, dando voltas na minha cabeça, enquanto meu desespero aumentava em não ver a Luisa, que tinha defendido sua tese na Alemanha e era uma daquelas pessoas capazes de tirar opiniões até de um poste.
Havia um conjunto de sofás bem de frente ao balcão de atendimento do hotel e eu fiquei ali, sentado, torcendo pra nenhum alemão se aproximar. Aliás, uma das coisas que logo percebi e que todos eles, quando passavam por mim, sorriam e tentavam falar algo educado, como “bom dia”, ou “boa noite”. Desconfio que todos foram instruídos a se comportarem daquele jeito, mas pode ser somente uma desconfiança tola de minha parte. Vai ver eles são mesmo simpáticos com todo mundo e eu estava fazendo uma análise preconceituosa dos caras.
Enfim, li uns jornais, folheei uns papeis sobre os lugares turísticos da cidade e continuava ali, sentado no sofá, torcendo para encontrar a Luisa. Já tinha olhado todas as fotos do caderno do evento e realmente não conhecia mais ninguém. Outra coisa que percebi foi que eram todos muito jovens, alguns com caras de adolescentes mesmo.
Finalmente, perto das 8 e meia da noite, a Luisa apareceu. Foi uma alegria e um alívio pra mim. Além de ser minha referência no evento, era também a primeira pessoa com quem eu conversaria de fato desde que saí de Maringá. Sem contar que fazia uns 12 anos que a gente não se via.
Depois dela dar entrada no hotel, fomos juntos até o restaurante, que naquela hora já estava bem lotado. Ficamos ali, os dois, colocando o papo em dia, tomando um espumante branco, quando uma dupla de rapazes do nosso lado quis brindar com a gente. A Luisa, como eu já sabia que aconteceria, colocou todo mundo pra conversar e na hora do jantar acabou sentando em outra mesa.
Eu continuei ali com o Lobo e o Nuñez e acabamos nos sentando em uma mesa com mais 3 brasileiros, dentre os quais a Annelise e o Assis. O Nuñez era um argentino que morava há anos na Alemanha, então ele conseguia entender português se falássemos um pouco devagar. Quando a gente sentia que ele não estava acompanhando o assunto, falávamos em inglês. A Annelise é o tipo de garota divertida, com quem você quer estar o tempo inteiro, pra não perder a oportunidade de dar umas risadas, ou de estabelecer uma conversa frugral. Assim como a maioria dos alemães, ela e o Lobo são bem jovens. O Assis é engenheiro civil (pelo menos foi o que me pareceu) e tem aproximadamente a minha idade. Todos inteligentíssimos, devo dizer.
Depois de muitas risadas e vários copos de vinho, resolvi me recolher. Afinal de contas o dia seguinte seria bem puxado, com palestras o dia inteiro. Aprimeira palestrante seria a Luisa. Ela falaria sobre o tema de meu atual projeto e eu não perderia uma palestra da Luisa por nada.