Bragfost 2010: sei lá, mil coisas… (pt. final)
agosto 30, 2011
Dia seguinte, bem cedo, estavá lá eu de pé e, impressionantemente, sem ressaca alguma. O meu primeiro porre da vida foi resultado de algumas garrafas de sangue de boi, ali por volta de 81, na comemoração do reveillon. Lembro de ter acordado em minha casa, na minha cama no dia seguinte, mas não me recordo como eu fui parar lá.
Enfim, segui para meu café da manhã e sentei-me numa mesa com uma brasileira e um alemão muito jovem. Tentei fazer com que conversamos sobre amenidades, mas deu logo pra perceber que a minha colega brasileira estava mais disposta em me impressionar do que em conversar coisas frugais. Pode ter sido só uma impressão errada, mas aquele ar de afetação me incomodou um pouco, apesar dela parecer ser bem legal depois de bêbada.
Na sala de seminários do evento, assisti atentamente às palestras de meus colegas brasileiros e também dos alemães. Era uma de cada lado, sempre sobre temas afins. Assim, ao final da sessão temática, ambos voltavam lá pra frente pra responder a todas as questões da plenária. Confesso que gostei bastante do formato, que apesar de ser bem formal, foi levado em um clima extremamente agradável. Almoçamos no hotel e voltamos para mais uma meia dúzia de palestras no período da tarde. Ninguém arredou o pé dali e as discussões eram bem bacanas, com ambos os lados participando bastante. Uma pena não haver mais ninguém, além da Luíza, que trabalhasse sobre o mesmo assunto que eu. Na noite anterior, ela explicou que não era bem o principal projeto dela, mas que era o que ela tinha sido instruída para apresentar. Por isso acabei não formulando nenhuma pergunta pra ela ao final de sua apresentação.
Durante os intervalos para os lanchinhos, reuníamos sempre as mesmas pessoas, o autodenominado cluster. Ficamos bem amigos uns dos outros e a animação era tanta que até meu colega italiano (sobreo qual falo em seguida) acabou se juntando a nós a maior parte do tempo.
A noite era sempre reservada para um jantar caprichado, sendo que desta vez iríamos visitar a vinícola Aurora e jantar lá mesmo. Quando chegamos ao restaurante da vinícola, acabei me separando do cluster e sentei-me ao redor de vários alemães e do Lucio, o sujeito italiano do qual falei anteriormente. Ele foi quem me salvou a noite. Ficamos eu ensinando português pra ele e ele me ensinando alemão. Sujeito divertidíssimo, talvez o mais divertido de todos os estrangeiros que eu já conheci.
Nem sei quantas garrafas de vinho tomei, mas, novamente, acordei no dia seguinte inteirasso. A primeira palestra da manhã seria da Annelise e eu, sinceramente, não tinha muitas expectativas sobre a apresentação, cujo tema era o design. Pra mim, até aquela manhã, a profissão de design limitava-se a traçar belas linhas arredondadas, com vistas a transformar aquilo em uma torneira, ou um veículo, por exemplo. Essa minha convicção estava prestes a ruir. A apresentação da Annelise e a parceira alemã dela foram as mais espetaculares do evento, na minha opinião. Design é, de fato, a adoção de soluções de engenharia baseadas principalmente na observação da natureza. Pelo menos foi isso que as palestras do dia deixaram bem claro pra mim. Então, os caras apresentaram projetos de adesivos, de filtros de metais pesados, de tintas especiais, de ferramentas de corte, todas baseadas em “tecnologia reversa” a partir da observação de plantas e animais. Fantástico. Deu até vontade de mudar de área.
No meio da tarde, sem almoçarmos, fomos visitar mais algumas vinícolas, uma casa especializada em produtos derivados do leite e da pele de carneiros e, finalmente, nosso último jantar. Não preciso dizer que nos divertimos muito, bebemos muito e comemos um monte também.
O dia seguinte era o último e seria dedicado aos cabeças do evento falarem sobre as possibilidades de interação entre os brasileiros e alemães.
No meio da tarde fomos todos nos deslocando em ônibus para Porto Alegre e chegando lá começaram as despedidas. Annelise, que morava por ali, foi a primeira a partir. Em seguida, na fila para embarque, o Durante, que fazia um estágio de pesquisa em São Francisco (EUA) também se desvencilhou do grupo e, finalmente, cada um dos membros do cluster foram para suas salas de embarque. Prometemos manter contato, trocamos e-mails e voltamos pra casa. Eu, bastante contente com a organização do evento e, principalmente, com as pessoas que eu tinha conhecido durante aqueles dias. Impressionante como temos bons pesquisadores, tão jovens, trabalhando com assuntos tão interessantes, sobre os quais nunca sequer ouvimos ou haveremos de ouvir falar.
O cluster não morreu depois disso, mas anda bem adormecido. Normal. Afinal de contas, basta digitar algumas poucas palavras na tela de um PC para podermos voltar a ter contato e matar as saudades uns dos outros. Espero poder trazer essas pessoas em futuro próximo para participarem de algum evento aqui na UEM. Esse ano consegui trazer o Marcelo Lobo, o único que tinha agenda disponível para a ocasião. Quem sabe no IV SEM, em 2013, eu dê mais sorte.